quarta-feira, 13 de abril de 2011

Controle de praga reduz uso de inseticidas em parreiras de uva



Para conter a proliferação da praga traça-dos-cachos em parreirais de uva vinífera no vale do rio São Francisco, os pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
(Embrapa) e da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) desenvolveram pesquisas, espalhando na área cultivada um produto que sintetiza o odor do hormônio feminino (feromônio), chamado tecnicamente de Splat Crypto.


Aplicado em pontos diversos do pomar como pistas falsas da presença da fêmea, o produto induz uma confusão sexual que os insetos machos passam a voar desnorteados pelo pomar, saturados com o cheiro do que poderia ser uma parceira. Desta forma não há acasalamento e a fêmea passa seu ciclo de vida sem se reproduzir.
Redução

Quando começou a executar o projeto para o manejo integrado da traça-dos-cachos da videira, em janeiro de 2009, o engenheiro agrônomo José Eudes de Morais Oliveira, pesquisador da Embrapa Semiárido, garantiu que em armadilhas colocadas nas áreas infestadas podia-se contar até 700 desses insetos. Ao final do projeto, neste início de 2011, as quantidades encontradas caíram drasticamente para cerca de cinco.

O resultado, se não garante a extinção da praga assegura a manutenção da população do inseto em níveis tão reduzidos que não afetam a produtividade do parreiral. “O manejo pesquisado no projeto praticamente abre espaço para inverter a tendência registrada nos últimos anos da constante presença da espécie de lagarta - e que tanto prejuízo tem causado às vinícolas”, afirma Oliveira.

A redução drástica da população do inseto nas áreas pesquisadas foi obtida sem o recurso de qualquer dose de insumos químicos. ”A técnica empregada foi bem mais sutil e sem qualquer dano para o meio ambiente ou de risco de resíduos nas frutas que podem prejudicar a qualidade do vinho e a saúde humana”, afirma o pesquisador.

De acordo com Oliveira, é expressivo o gasto com pulverizações de defensivos agrícolas nas vinícolas para controle da praga. As lagartas ao se alimentarem dos cachos provocam lesões nas bagas que favorecem o aparecimento de fungos que causam doenças e inviabilizam a utilização dos frutos para processamento ou consumo in natura.

Embora a pesquisa tenha sido realizada em um ambiente de clima tropical semiárido, Oliveira acredita que seus resultados podem ser empregados para orientar o manejo e controle da praga em outras regiões vinícolas do país, como o Rio Grande do Sul.



Fonte: Globo Rural

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