quarta-feira, 13 de abril de 2011

Controle Biológico de Lagartas em Pastagem de Grama Tifton



As pastagens constituem uma fonte de alimento para bovinos, devendo ser conduzidas de forma técnica à semelhança de outras culturas. Em sistemas intensivos de produção de leite, o pastejo rotativo é uma alternativa que visa o fornecimento de pasto jovem e abundante aos animais, permitindo um planejamento destinado à alimentação de qualidade para o gado e, sustentabilidade econômica ao sistema.


O estabelecimento e manutenção de gramíneas tropicais estão sujeitos a fatores que podem comprometer, indiretamente, a produção de carne e leite. Dentre os fatores prejudiciais às pastagens, se destaca o ataque de lagartas desfolhadoras, especialmente as espécies Mocis latipes e Spodoptera sp. que, embora ocorram esporadicamente, exibem voracidade de modo a constituir sérias ameaças às gramíneas, devido ao seu hábito alimentar e mobilidade, que lhes conferem capacidade de raspar e consumir folhas, reduzindo a disponibilidade de forragem.

Portanto, torna-se necessário o monitoramento e adoção de medidas de controle para lagartas desfolhadoras em pastagens, preferencialmente, de forma econômica e harmônica com o meio ambiente.

O controle biológico (microbiano) com fungos entomopatogênicos tem se destacado como alternativa viável e sustentável para o manejo integrado de pragas, sendo o fungo Beauveria bassiana (Bals) Vuill. estudado mundialmente como bioinseticida.

Por esta razão, avaliou-se a patogenicidade de B. bassiana (isolado IBCB 66) sobre lagartas de M. latipes e Spodoptera sp. em pastagens de grama Tifton (Cynodon sp.), no Sítio Barra Funda, Município de Ipiguá, SP. Previamente, o entomopatógeno foi analisado quanto à virulência junto ao Laboratório de Controle Biológico, do Centro Experimental Central do Instituto Biológico, em Campinas, SP. Posteriormente, foi produzido em arroz pré-cozido e autoclavado, na concentração de 2,0 x 109 conídios g-1.

Considerando a ocorrência de lagartas desfolhadoras em gramíneas forrageiras, na região Noroeste do Estado de São Paulo, efetuou-se o monitoramento dos insetos-praga e, assim que constatado o início de ataque de lagartas raspando as folhas da gramínea, foram realizadas aplicações do bioinseticida, na dose de 4,0 x 1012 conídios viáveis ha-1.

Para aplicação, o fungo esporulado em arroz foi lavado e coado e, a calda vertida em tanque de pulverizador costal, acoplado com ponta de pulverização de jato leque 8003, sob volume de calda de 300 L ha-1.    A técnica de aplicação foi adotada ponderando o hábito de lagartas desfolhadoras, ação de contato do inseticida microbiano e dossel forrageiro. As aplicações foram efetuadas sob condições de alta umidade relativa (> 65%) e tempo chuvoso, consideradas favoráveis a fungos entomopatogênicos.

Após as primeiras aplicações do bioinseticida, verificou-se que as lagartas não se desenvolviam normalmente e, após três aplicações, a ação do entomopatógeno foi confirmada com alto índice de lagartas esporuladas.
Assim, evidencia-se que o controle biológico, com o fungo B. bassiana, é eficaz no manejo de M. latipes e Spodoptera sp. em pastagem de grama Tifton.



Fonte: APTA  Autores :
Marcelo Francisco Arantes Pereira
Eng. Agr., Dr., Pesquisador Científico da UPD de São José do Rio Preto, Pólo Regional do Centro Norte/APTA

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