quarta-feira, 30 de março de 2011

O que é a Febre Aftosa



Conceituação: doença infecciosa viral altamente transmissível causada por um picornavírus que acomete bovinos de qualquer idade e caracteriza-se por vesículas seguidas de ulcerações na mucosa bucal, muflo, espaços interdigitais e na pele do teto em fêmeas.

Agente etiológico: RNA vírus da família Picornaviridae (pequeno vírus) e do gênero Aphtovirus. Existem sete sorotipos imunologicamente distintos O, A, C, SAT1, SAT2, SAT3 e ASIA1 e, no Brasil, foram descritos apenas os três primeiros que são também denominados tipo europeu.

Distribuição geográfica: endêmica em parte da América do Sul, Ásia, Oriente Medio e na maioria dos países africanos.

Prevalência: No Brasil é de 0%.

Importância econômica: a febre aftosa é um problema mundial. A doença reduz o lucro dos criadores e a disponibilidade de carne para o consumo. A ocorrência de febre aftosa pode prejudicar todos os planos de negócios internacionais e causar enormes perdas econômicas, além dos custos para abate, desinfecção e controle do surto.

Hospedeiros: animais biungulados, principalmente os bovinos que são mais suscetíveis, seguidos pelos suínos e depois pelos ovinos, caprinos e os fissípedes silvestres (veado campeiro).

Fatores predisponentes: a movimentação e aglomeração de animais em feiras, exposições, leilões, juntamente com a circulação de caminhões, carros e pessoas em propriedades, vacinação parcial.

Patogenia: a porta de entrada é a mucosa oral e a respiratória. No ponto de entrada ocorre a primeira replicação viral e depois de 4 a 16 horas já se pode observar a afta primária. O vírus atinge a corrente sanguínea e é distribuído para os órgãos de eleição, surgindo aftas secundárias após 48 horas do contágio e acompanhadas de manifestações febris. Ao final de 2 a 4 dias o vírus desaparece da corrente sanguínea.


CADEIA EPIDEMIOLÓGICA
Fonte de infecção: doentes atípicos e doentes em fase prodrômica. Reservatórios são os demais hospedeiros biungulados e cervídeos (veado campeiro no Brasil).
Vias de eliminação: secreção oronasal e leite.

Vias de transmissão: contágio indireto, principalmente, por meio da água e dos alimentos.

Porta de entrada: mucosa da orofaringe.

Suscetíveis: todos os animais biungulados são suscetíveis, mas ocorre com mais freqüência em animais jovens e também nos rebanhos leiteiros em razão do manejo que implica em aglomeração e onde ocorre intensa compra e venda de animais. Ainda ocorre quando a vacinação não obedece às datas estabelecidas e quando não há adequada conservação da vacina e não aplicação da dose recomendada.

Comunicante: É o animal que esteve exposto, com risco de adquirir a doença, e pode ser representado principalmente pelos animais de regiões ou propriedades onde o vírus ainda permanece endêmico.

PROFILAXIA
Medidas relativas às fontes de infecção: identificação e sacrifício. A Legislação Internacional determina delimitar zonas de emergência e de vigilância ao redor do foco.

Medidas relativas às vias de transmissão: Desinfecção dos locais e de todo material contaminado; destruição das camas, dos cadáveres e dos produtos de animais da zona infectada.

Medidas relativas aos suscetíveis: vacinação em obediência ao esquema estabelecido pelo Serviço Oficial de DSA. Controle de aglomerações.

Medidas relativas aos comunicantes: controle de trânsito (GTA), de aglomerações, quarentena de animais recém-adquiridos e vacinação.


Fonte:
Dra. Masaio Mizuno Ishizuka
Professora Titular Emérita da FMVZ-USP e Consultora da Cati
Med. Vet. Fernando C. Lima - EDR de Presidente Prudente
Med. Vet. Mário A. S. de Figueiredo - EDR de Franca
Med. Vet. Marianne de Oliveira Silva - Cetate
marianne@cati.sp.gov.br

1 comentários

Flávio 8 de agosto de 2012 às 15:18

Matéria Ótima.......

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