sexta-feira, 18 de março de 2011

Horticultura Sustentável Dicas de Manejo




Implantação da Horticultura sustentável

Dentre os fatores a serem levados em consideração no planejamento para implantação de um sistema sustentável de produção de hortaliças destaca-se o diagnóstico do local a ser cultivado, devendo-se adotar os seguintes passos:

a) Identificação da vegetação anterior ou atual do local de cultivo. Por exemplo, plantas como barba de bode, indaiá, sapé e samambaia indicam acidez do solo.
b) Identificação das culturas anteriores: caso o local já tenha sido explorado comercialmente obter o histórico do mesmo quanto às espécies cultivadas anteriormente e quais as produtividades obtidas. O mesmo se aplica para a criação animal.
c) Solo: realizar análise química e física do solo para determinação da sua fertilidade e o cálculo da calagem e adubação necessárias.
d) Clima: obter dados meteorológicos da região principalmente as temperaturas e pluviosidade (chuva) de todos os meses do ano. Levantar as médias climáticas, se possível dos últimos 10 a 20 anos. Isso contribuirá para a escolha das espécies e cultivares de hortaliças mais adaptadas ao clima local.
e) Conservação do solo: verificar quais são as práticas conservacionistas adotadas pelo produtor (plantio em nível, terraceamento, canais escoadouros, etc.). Identificar problemas como erosão, compactação, drenagem deficiente, etc.
f) Disponibilidade de água: verificar os sistemas utilizados pelo produtor na captação de água, sua qualidade e estimar a quantidade necessária para irrigação das hortaliças e outras culturas a serem instaladas na propriedade.
g) Comercialização: identificar os possíveis compradores e os locais de venda, o que contribuirá para a decisão das espécies de hortaliças a serem produzidas. Realizar levantamentos de preços e quantidades comercializadas de hortaliças junto ao Instituto de Economia Agrícola, Centrais de Abastecimento e Varejões das grandes e médias cidades.

Monitoramento da água de irrigação quanto à qualidade

Não se observa de maneira geral, preocupação dos produtores de hortaliças, e até de técnicos quanto às características ("qualidade") da água de irrigação, a não ser quando há ocorrência de problemas como queima das plantas, entupimento dos orifícios dos gotejadores ou dos microaspersores.

O pH da água de irrigação não deve ser inferior a 5,0-5,5 e nem superior 7,0-7,5. A condutividade elétrica da água (C.E. ou E.C.) era expressa em mmhos.cm-1, ou em dS m-1 e conforme a atual Legislação é apresentada em mS cm-1. Deve-se observar que 1 mS cm-1, corresponde a aproximadamente 640 mg de sal por litro de água. O termo RAS significa relação de adsorção de sódio, sendo dado pela equação: RAS = Na / [(Ca+Mg)/2]1/2

A literatura internacional mostra que há comportamentos distintos das diferentes hortaliças com relação à tolerância ao eventual excesso de elementos como o boro,sódio, cloro, tanto na água de irrigação como no solo. A beterraba e a cebola, por exemplo, toleram até 4 mg L-1 de boro na água de irrigação enquanto quantidades em torno de 1 a 2 mg L-1 de boro prejudicam o desenvolvimento de outras hortaliças como pimentão, alcachofra e feijão - vagem.

Vantagens ou benefícios da produção de mudas em bandejas:


a) Melhor equilíbrio entre a parte aérea e o sistema radicular das mudas.
b) Economia de sementes, defensivos (agrotóxicos) e irrigação.
c) Redução do estresse no transplante.
d) Maior rendimento e aproveitamento de mão-de-obra.
e) Redução do ciclo da cultura.
f) Maior uniformidade da lavoura e aproveitamento da área de cultivo.

Uso de cobertura morta ("mulching")

A cobertura morta ("mulching") de origem orgânica sempre que possível deve ser utilizada na produção sustentável de hortaliças. Citam-se como principais benefícios:
a) propiciar menos aquecimento da superfície do solo o que poderia prejudicar a germinação de sementes e o crescimento das mudas.
b) proporciona a proteção do solo contra respingos da água de chuva e da irrigação, o que jogaria a terra sobre as folhas das plantas.
c) Acarreta menor crescimento de plantas daninhas concorrentes das hortaliças.

Dentre os materiais orgânicos que servem de "mulching" destacam-se o bagacilho de cana pré fermentado; a casca de arroz curtida; a serragem pré fermentada; grama batatais picada e seca, camas de animais como frango, eqüinos, etc.


Uso racional de fertilizantes orgânicos, compostos orgânicos e fertilizantes organo-minerais

Os fertilizantes orgânicos, compostos orgânicos e os fertilizantes organo-minerais constituem-se em fator de aumento da produtividade das hortaliças e outras culturas, com ação útil a curto e médio prazos, para a melhoria das características físico-químicas do solo.
Benefícios dos fertilizantes orgânicos
a) Melhoram as condições físicas do solo (aeração e permeabilidade), diminuindo as variações bruscas de temperatura e minimizando ainda a compactação do mesmo.
b) Ajudam no equilíbrio das populações de microorganismos do solo, úteis às plantas.
c) Fornecem parcialmente os nutrientes necessários às plantas.
Um dos melhores fertilizantes orgânicos encontrados no comércio é o húmus de minhoca. Tal produto resulta da decomposição de material inicialmente cru ou mal curtido, o qual após a ação das minhocas resultará em um produto estável que proporcionará benefícios ao solo e à produtividade das culturas.


Limitações dos fertilizantes orgânicos

a) Há necessidade da aplicação com certa antecedência ao plantio (30 a 40 dias) para ocorrer integral decomposição (fermentação) do adubo orgânico em mistura ao solo.
b) Os estercos animais crus ou mal curtidos e restos de cultura mal decompostos devem ser evitados pois podem introduzir patógenos indesejáveis (Verticilium, Rhizoctonia, Fusarium) no local. c) O esterco de galinha poedeira puro e de alguns outros animais criados no sistema confinado, devem ser misturados a outros materiais, pois pode haver risco de excesso de sal (NaCl), resíduos de antibióticos e de outros componentes da ração animal.

Fertilizantes organo-minerais

Os fertilizantes organo-minerais são o resultado da mistura dos fertilizantes orgânicos com os fertilizantes minerais. Constituem-se em opção viável tanto tecnicamente como economicamente para produtores de hortaliças, plantas aromáticas, medicinais e frutíferas. As fórmulas dos fertilizantes organo-mineriais, conforme Legislação atual devem conter os nutrientes na forma N+P2O5+K2O em concentrações maiores ou iguais a 10%. Isso proporciona economia no frete em relação aos fertilizantes orgânicos. A seguir são apresentados exemplos de fórmulas de fertilizantes organo-minerais.

Controle de pragas e doenças


 Qualquer sistema de controle envolvendo um ou mais métodos poderá ser considerado manejo de pragas e doenças, desde que tenha por objetivo interferir o mínimo possível no ecossistema. O uso de agrotóxicos é uma ferramenta eficaz em vários sistemas agrícolas, mas deve ser usado como último recurso. Devem ser utilizados apenas os produtos recomendados para a cultura, observando atentamente os períodos de carência e as técnicas de aplicação do produto.

a) Controle genético


Deve-se fazer o uso de cultivares resistentes ou tolerantes para evitar-se a incidência de determinadas doenças e pragas. A execução pelo produtor de um teste em sua propriedade de novas cultivares de hortaliças é recomendável devendo sempre haver o acompanhamento técnico de um engenheiro agrônomo.

b) Controle cultural


Escolha do local, época e densidade de plantio adequados; manejo adequado da calagem, adubação, irrigação e mato; rotação e consorciação de culturas; adubação verde e preparo adequado do solo. Sempre é bom ressaltar que deve ser evitado o plantio escalonado de uma mesma espécie em diversas épocas do ano na mesma área devido a possibilidade de aumento da incidência de pragas e doenças.
Dentre os métodos alternativos de controle de doenças destaca-se o uso do leite de vaca cru para controle do oídio. Esse método tem apresentado resultados promissores nas culturas de cucurbitáceas, alface, quiabo, pimentão e outras hortaliças, quando aplicado semanalmente.

A concentração utilizada pelos agricultores tem variado de 5 a 20%. O leite pode agir de mais de um modo para controle do oídio, mencionando-se as suas propriedades germicidas, indução de resistência das plantas e/ou controle direto do patógeno, estímulo ao controle biológico natural pela formação de um filme microbiano na superfície da folha ou alteração das características físicas, químicas e biológicas da superfície foliar.

Outro produto que tem um uso crescente é o Nim, inseticida natural extraído das sementes (maior concentração em relação às folhas) da árvore Azadirachta indica que atua como repelente de pragas, principalmente insetos que atacam diferentes espécies de hortaliças. O Nim pode ser aplicado isoladamente ou junto com outros produtos, tais como extratos de alho; pimenta, etc. Recomendações para o controle alternativo de diversas pragas e doenças.

c) Controle biológico


É possível e está em franca expansão o uso de inimigos naturais para controle de pragas diversas das hortaliças entre outras culturas. Cita-se como exemplo, a criação de micro-ácaros para controle do ácaro rajado de morango e de outras espécies de plantas. Nesse sentido destacam-se os bons trabalhos desenvolvidos pelo Instituto Biológico do Estado de São Paulo. Abaixo são apresentadas duas fotos mostrando inimigos naturais parasitando pragas das culturas.  


Fonte: IAC 

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