quarta-feira, 30 de março de 2011

Brucelose Bovina






Conceituação

Doença infecciosa altamente transmissível, causada pela bactéria Brucella abortus, que acomete, preferencialmente, fêmeas em idade reprodutiva ativa causando abortamento e eventualmente, acomete machos.

Agente etiológico

Bactéria intracelular facultativa denominada Brucella abortus, pertencente ao gênero Brucella, apresenta elevada resistência às condições do ambiente e dependente da presença de eritritol para seu crescimento.

Distribuição geográfica: cosmopolita.

Persistência: favorecida pela resistência no ambiente e pela presença de reservatórios silvestres (não comprovado no Brasil).

Prevalência: no Brasil, a prevalência não é totalmente conhecida, mas, em São Paulo, o último levantamento realizado pelo Serviço Oficial em 2001 revelou prevalência por ponto igual a 1,63% com intervalo (1,11% l—l 2,15%).

Importância Econômica e em Saúde Pública

O ponto de vista econômico é decorrente dos sucessivos abortamentos e período de esterilidade temporário que reduzem as taxas de natalidade do rebanho. Do ponto de vista da Saúde Pública, a brucelose é uma zoonose (doença naturalmente transmitida entre o homem e os animais) também denominada febre de malta ou febre ondulante.
Hospedeiros: bovinos e bubalinos são os hospedeiros naturais e, acidentalmente, pode infectar suínos, ovinos e caprinos, mas, nestas espécies, a B. abortus não é capaz de persistir.

Fatores predisponentes

No caso da espécie animal, pode-se mencionar o destino incorreto de restos placentários oriundos de abortamentos.
No homem, têm relação com hábitos de ingestão de leite sem prévia pasteurização ou fervura, atendimento ao parto sem a devida proteção, pois a bactéria penetra ativamente pela pele e em acidentes durante a vacinação de animais, quando pode ocorrer inoculação ou penetração pela conjuntiva.

Patogenia

Quase todas as infecções são adquiridas pela via oral, quando da ingestão de água ou alimento contaminado com restos de abortamento.
Sintomasprimogestaçao, aos 7-8 meses na segunda gestação, podendo ou não ocorrer uma terceira vez ao final da gestação; retenção de placenta e secreção vaginal purulenta ou não e, freqüentemente, fétida de coloração cinza ou vermelho-pardo, podendo a infecção da glândula mamária ser clinicamente manifestada.
     
Nas fêmeas, os sinais preponderantes da brucelose são: abortamentos por volta de 5-6 meses de gestação quando de
Nos machos, observam-se artrite (tarso e metatarso) ou poliartrite, tenosinovite, bursites e abscessos cutâneos, e ocasionalmente, orquite e epididimite.

Diagnóstico laboratorial: sorologia pela aplicação da prova de Rosa Bengala para triagem e confirmação pela prova de 2 Mercaptoetanol e/ou Fixação de Complemento.


CADEIA EPIDEMIOLÓGICA
Fontes de infecção: animais doentes (quando do abortamento) e portadores (após abortamento).

Vias de eliminação: as fêmeas eliminam através do feto abortado, envoltórios fetais, corrimento vaginal e leite. Machos eventualmente eliminam pelo sêmen.

Vias de transmissão: Alimento, água, solo, piso, cama, fômites (objetos inanimados) contaminados.

Porta de entrada: mucosa oral nas vacas e pele e conjuntiva no homem.

Suscetíveis: fêmeas de bovinos e bubalinos em idade de procriar e também o homem.

COMUNICANTE: vaca e bubalina que estiverem expostas ao risco de brucelose, mas não se sabe se estão infectadas ou não.

PROFILAXIA

Medidas gerais: compra de animais com certificado negativo para brucelose, atestando terem sido vacinadas na idade recomendada pelo programa nacional, emissão de GTA; Educação em Saúde dos criadores.

Medidas relativas às fontes de infecção: identificação por procedimentos sorológicos e sacrifício dos reagentes. Comunicação ao Órgão de Defesa Sanitária local (EDA ou IDA).

Medidas relativas às vias de transmissão: disposição adequada de feto abortado e membranas fetais; descontaminação do meio ambiente e seus componentes pela limpeza e desinfecção periódicas.

Medidas relativas aos suscetíveis: vacinação de bezerras entre 3 e 8 meses de idade com vacina viva cepa S19 (vacina B19) e identificação.


Fonte:

Dra. Masaio Mizuno Ishizuka
Professora Titular Emérita da FMVZ-USP e Consultora da CATI
Med. Vet. Luciano Martines
Joao E. Volpi de Oliveira - EDR de Jales
Med. Vet. Silter Ap. de O. Fadel - EDR de Assis
Med. Vet. Ildemar C. Sanches - EDR de General Salgado
Med. Vet. Kléber B. de Godoy - EDR de Pindamongaba
Med. Vet. Marianne de Oliveira Silva - Cetate

0 comentários

Postar um comentário