quinta-feira, 3 de março de 2011

Berne Prejuizos e Tratamentos



O berne é uma ectoparasitose causada pela larva da mosca Dermatobia hominis, comum no Brasil. O aparecimento dos bernes está relacionado a regiões arborizadas com temperaturas moderadamente altas durante o dia e relativamente frias durante a noite, chuvas moderadas a abundantes, vegetação densa e um número razoável de animais (MARQUES et al., 2000).

Os danos causados aos animais são decorrentes da fase parasitária com o desenvolvimento de nódulos subcutâneos (processo inflamatório), irritação (dor e desconforto), infecções secundárias bacterianas (abscessos) e sangramentos (bicheiras).


As perdas estão relacionadas à redução no ganho de peso, diminuição da produção leiteira, gastos com mão de obra, medicamentos, desvalorização do couro e predisposição a outras doenças, bem como às bicheiras. Segundo Grisi (2002), as perdas anuais em função desse parasito são de aproximadamente 250 milhões de dólares.

O ciclo da mosca berneira exibe uma particularidade curiosa: as fêmeas não depositam seus ovos diretamente nos bovinos. Ela captura uma mosca de outra espécie durante o vôo e deposita seus ovos no abdômen da mosca capturada. As moscas capturadas são verdadeiros vetores de seus ovos e também são chamadas de foréticos. Os principais vetores são a mosca-dos-chifres, mosca-dos-estábulos e mosca doméstica.

Estudos da EMBRAPA (1998) relatam que animais com 20 a 40 bernes podem perder de 9 a 14% de peso e os couros, com 10 a 20 perfurações em sua região nobre, perdem de 30 a 40% do seu valor comercial. Calculando uma infestação média anual de 20 bernes, com uma perda de 19,7 kg/animal/ano, a perda total nos cerrados seria de 1,3 milhões de toneladas de peso vivo.

O combate ao berne é um dos mais complicados entre todos os ectoparasitos, pois a própria mosca D. hominis não se aproxima dos possíveis hospedeiros e sim utiliza outras moscas para distribuírem seus ovos. Portanto, o controle do berne implica no controle de um grande número de insetos. Por isso, na maioria dos casos, o combate ao berne restringe-se ao tratamento das larvas presentes no corpo do animal. É importante salientar que existe uma grande preocupação do uso indevido de inseticidas, pois pode causar a seleção de cepas resistentes de insetos foréticos, as quais podem causar um aumento no número dos casos e nos níveis de infestação.
A intensidade parasitária no bovino pode variar em função da época do ano, pelagem (cor e tamanho do pêlo), região corpórea, região geográfica, tipo de vegetação e o relevo de cada propriedade (OLIVEIRA et al., 1999). Embora as larvas sejam sensíveis aos inseticidas sistêmicos, a rápida mudança de gerações e a falta de sazonalidade requerem que qualquer sistema de controle envolva tratamentos repetidos.

O controle efetivo deve ser implantado por meio de dois tipos de tratamentos, o “Controle Estratégico Parasitário e Tático” no rebanho bovino da propriedade (OLIVEIRA et al., 1999). O Controle Integrado deve ser realizado aproveitando as oportunidades de manejo (por exemplo, manejo para a vacinação contra a febre aftosa), em épocas onde as infestações ainda não são expressivas ou no início do programa de Controle Estratégico. Quando as infestações já estão altas o recomendado é o Ataque Múltiplo, que não descarta as demais
medidas de controle.

É fundamental adotar medidas de manejo como a remoção e tratamento dos estercos, piscinas de decantação ou biodisgestores no controle de outras moscas. Mesmo que a mosca berneira não faça a postura de ovos em fezes frescas, vale lembrar que existem vetores em parte de seu ciclo e que muitos desses vetores utilizam as fezes para multiplicarem-se. Portanto, se controlarmos a população dos vetores, estaremos automaticamente controlando a população de moscas berneiras.

O controle da mosca do berne deve ser local e sempre que possível realizado em todas as propriedades vizinhas, o que resulta em resultados mais eficientes e duradouros.

Barreiras para o controle efetivo do berne:

a) Grande diversidade de animais alternativos (silvestres, selvagens e domésticos) facilitando a reprodução dos bernes;
b) Grande número insetos transportadores dos ovos da mosca do berne;
c) Sistemas de criação que facilitam a movimentação dos animais em áreas de risco com clima quente, úmido e com árvores;
d) Uso de medicamentos veterinários com período de ação curto;
e) Falta de estratégias eficientes de prevenção e controle por parte dos pecuaristas (Controle Estratégico e Tático);
f) Resistência dos parasitos (vetores).


Controle e tratamentos

O controle pode ser obtido com o tratamento frequente por meio de pulverizações, banhos ou preparações pour-on. Atualmente, entre os medicamentos utilizadas no controle estão: os organofosforados (DDVP e Clorpirifós), os piretróides (Cipermetrina) associados aos organofosforados, as avermectinas (endectocidas injetáveis) e fluazuron + abamectina. Os piretróides comumente utilizados como carrapaticidas e mosquicidas têm pouca ação letal contra o segundo e o terceiro estágio do berne, contudo, possuem excelente ação repelente sobre as moscas vetores. Entretanto, os resultados obtidos nem sempre são satisfatórios, devido às variações, histórico de utilização de medicamentos, resistências e outras peculiaridades de cada propriedade. 

Colosso Pour on, Colosso Pulverização e Cypermil Plus são exemplos de associações de alta eficácia e excelente custo/benefício. A administração de endectocidas injetáveis (Ivermectina OF, Iver LA, Aba LA e Master LP) ou pour on (Fluatac DUO) também são altamente eficazes, quando utilizados em programas de controle.

As avermectinas são os endectocidas mais recentes e mais potentes disponíveis para o combate do berne. Doses de 200 mcg/kg de peso vivo da ivermectina e abamectina são altamente eficazes no controle de todos os estágios do berne. O combate indireto do berne por meio do controle dos vetores está se tornando uma realidade com o uso da ivermectina e doramectina, pois fezes provenientes de bovinos tratados com essas substâncias não permitem o desenvolvimento das larvas dos vetores por 28 dias após o tratamento (MOYA BORJA, 2004).

Diante do exposto, para se obter um ótimo resultado, os produtos de uso veterinário devem ser administrados no animal de maneira estratégica e racional e com a orientação de um médico veterinário. O controle efetivo da dermatobiose pode ser feito principalmente por meio de dois tipos de tratamentos: Estratégico e Tático. O Controle Integrado deve ser indicado no intervalo entre os meses de maiores infestações, ou seja, entre os meses de ago/set e jan/fev, que coincide com os meses de campanha de vacinação contra a febre aftosa.

Nas propriedades onde o desafio é mais intenso, recomenda-se iniciar o programa de controle por meio do Ataque Múltiplo. O controle do berne pode ser associado ao tratamento de outras parasitoses, por exemplo, com o uso de endectocidas (Controle Integrado) e deve estar alinhado com a adoção de medidas profiláticas, por meio do controle das moscas e higiene. 


Fonte: Ourofino

1 comentários

jayme fernando fazzani 29 de janeiro de 2013 às 17:02

tendo conhecimentos sobre outrasparasitas,fiquei
surpreendido com as lições que recebi sobre os
bernes,sou Tecnico Agropecuário,muito obrigado e nota 10,pelas sábias lições por internet.

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