sábado, 12 de fevereiro de 2011

Terapia de vaca seca



A terapia de vaca seca ou o uso de antibiótico intramamário de longa duração durante o período em que a vaca não produz leite (período seco) é de extrema importância para curar infecções intramamárias subclínicas adquiridas durante a lactação e evitar a ocorrência de novas infecções durante o período seco, principalmente nas duas primeiras semanas após a secagem.

Um dos principais fatores que influencia na ocorrência de casos clínicos de mastite durante a lactação é a infecção intramamária que se desenvolve ou persiste no período seco que a antecede. E o que acontece, muitas vezes, são produtores de leite focando seus esforços em controlar a mastite apenas durante o período de lactação e deixam de lado esta importante ferramenta para o controle da doença. Os benefícios da terapia de vaca seca são muitos e incluem redução da contagem de células somáticas, da incidência de mastite clínica e aumento da produção de leite na próxima lactação.


No período seco, as duas semanas pós-secagem e as duas semanas pré-parto são os momentos críticos para a aquisição de novas infecções intramamárias (Figura 1). Nas primeiras semanas após a secagem cessa-se a extração de leite e a desinfecção dos tetos que ocorria durante a ordenha (pré e pós-dipping). Com isso, a pressão interna da glândula mamária aumenta, levando a dilatação do teto e maior penetração bacteriana através do esfíncter do teto.

E, como não há ordenha e nem desinfecção do teto, ocorre menor eliminação destas bactérias da glândula mamária. As células de defesa só alcançam níveis protetores na glândula mamária por volta do oitavo dia após a secagem. A atividade de defesa destas células encontra-se diminuída, pois estas são recrutadas para eliminar a gordura e debris celulares na glândula mamária advindas da fase de lactação. O tampão de queratina, que oclui fisicamente o canal do teto, dificultando a entrada de bactérias para o interior da glândula mamária, pode levar vários dias. Esses fatores favorecem a ocorrência de infecções intramamárias no período inicial da secagem.

No final da gestação e no início da lactação a vaca de leite se apresenta em balanço energético e protéico negativo, uma vez que nessa fase possui menor ingestão de alimentos. Deficiências de energia, proteína, minerais e vitaminas são associadas à depressão do sistema imune. Com a aproximação do parto, a secreção de colostro é iniciada e a pressão intramamária aumenta. Ocorre então dilatação do canal do teto, perda do tampão de queratina e extravasamento de secreção da glândula mamária, justificando a maior susceptibilidade da glândula nesse período.

 Além disso, uma série de fatores imunológicos fica alterada na vaca no período peri-parto. As defesas celulares são importantes em combater agentes que porventura sobrepassem as defesas estruturais da glândula mamária, e nesse período, as funções das células de defesa se encontram modificadas ou reduzidas. Os efeitos do stress associados à gestação e ao parto, mediados via síntese de hormônios estressores, como os corticosteróides, podem explicar parte da inabilidade imunológica nesse período.

Dado todos esses fatores que acarretam maior susceptibilidade da vaca nos momentos críticos do período seco, a administração intramamária de formulações com antibióticos para vacas secas ao término da lactação é o mecanismo mais eficaz de eliminar infecções existentes e prevenir novas. Além disso, a manutenção de um ambiente propício, limpo e seco, para animais que se encontram nessas fases é óbvia e de grande importância.




Fonte: Reahgro    autora:  Patrícia Vieira Maia. Médica Veterinária. Especialista em Pecuária Leiteira

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