terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Retorno Econômico na Produção de Bezerros com a Utilização da IATF



O uso do melhoramento genético baseado na seleção de indivíduos de maior desenvolvimento ponderal possibilita o aumento de produtividade, seja para carne ou seja para  leite. Assim, a multiplicação de animais superiores por meio de biotécnicas reprodutivas proporciona maior retorno econômico para a atividade. Por meio da inseminação artificial convencional (IA), é possível promover o melhoramento genético, porém o seu desenvolvimento sempre foi dificultado, principalmente pelos problemas relacionados à detecção de cio e duração do anestro pós parto.

Para se ter uma idéia o cio pode ser de curta duração (18% até 6 horas e 22% entre 6 e 12 horas; Sales et al., 2009) e com elevado percentual de manifestações no período noturno (Mizuta et al., 2003). Já o anestro pós-parto é de causa multifatorial (nutricional, interação vaca/bezerro, estação de parição).  Ambos comprometem o intervalo entre partos (IEP), reduzindo a eficiência reprodutiva, que segundo TRENKLE & WILLIAN (1997) é mais importante economicamente falando que o desenvolvimento ponderal.

Com o uso da IATF (Inseminação Artificial em Tempo Fixo) é possível tirar proveito deste momento positivo do agronegócio, produzindo bezerros em maior quantidade e com mais peso (em média pode-se atingir valores de até uma arroba a mais). Esses protocolos permitem ainda uma maior concentração das prenhezes no início da estação de monta, o que contribui para redução do período de serviço.

E quanto custa tudo isto?

O custo médio de um programa reprodutivo de IATF pode variar entre R$ 40,00 e R$60,00/animal dependendo do protocolo e do sêmen escolhido. De maneira simplória, costuma-se calcular o custo do bezerro produzido pela IATF como sendo o dobro do pago no programa reprodutivo (ex. paga-se R$40,00/vaca sincronizada, logo o custo do bezerro é R$80,00 – referente a taxas de prenhez de 50% das vacas inseminadas em tempo fixo).
Já em uma propriedade com uso de monta natural o custo do bezerro produzido pelos reprodutores fica próximo a R$ 28,00/bezerro (considerando custo de compra, descarte, tempo de uso e relação touro vaca). Assim, a diferença em produzir um bezerro por IATF de um touro melhorador e o de produzir um bezerro de touros não provados por meio da monta natural, gira em torno de R$52,00.  

E porque fazer um bezerro fruto de IATF se ele custa mais?

Os principais benefícios para o produtor de bezerros de IATF são:

- Maior peso a desmama: em média esse bezerro pesa uma arroba a mais (15kg x R$ 3,20 = R$ 48,00);

- Antecipação das parições: em média consegue-se uma antecipação de 30 dias, o que representa o mesmo período a menos de custo de vaca (30 dias x R$ 1,20/dia/vaca = R$ 36,00).

- Maior taxa de prenhez final: por meio das prenheses oriundas da IATF e mais o efeito de estimular a ciclicidade de todo o restante das fêmeas tratadas, consegue taxas de prenhez maiores em propriedades onde se utiliza a técnica, podendo ser superiores a 8% a 10% (Bezerro = R$ 600,00 x 8% = R$ 48,00)

- Outras vantagens econômicas: redução dos manejos e otimização da mão de obra, concentração dos nascimentos e desmames nas melhores épocas do ano, animais com maior ganho de peso e consequente redução do tempo para abate.

Resumindo, teríamos um retorno facilmente quantificado, por bezerro  de corte produzido pela IATF de R$ 80,00 (Retorno extra – R$ 132,00 (R$ 48,00 + R$ 36,00 + R$ 48,00) subtraindo o  Investimento adicional – R$ 52,00) frente ao bezerro produzido por monta natural.

Assim, podemos afirmar que o retorno da IATF é muito favorável, sendo possível obter retornos sobre os investimentos superiores a 100% em curtos períodos de tempo, sem considerar outros benefícios anteriormente citados e não computados.



Fonte: OuroFino

0 comentários

Postar um comentário