segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Novo Ácaro de Aves Causa Prejuízo em Bastos



Maior produtor de ovos da América Latina e conhecido por Capital Nacional do Ovo, Bastos notificou focos de ácaro, ainda desconhecido dos parasitologistas, em lotes do plantel de pelo menos três granjas em dezembro. Uma delas foi fechada temporariamente - período estimado em seis meses. Suas 70 mil aves foram erradicadas e os funcionários, demitidos.

Denominada de vazio sanitário e adotada em caráter emergencial, a medida visou proteger do parasita os aviários das 80 granjas sediadas no município. Órgãos públicos e de representantes dos produtores mantiveram o problema sob sigilo até semana passada, quando a Rádio Cidade FM, de Bastos, veiculou a primeira reportagem sobre o assunto.
Nilce Maria Soares, pesquisadora científica da Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento (UPD) de Bastos, que é vinculada ao Instituto Biológico, confirmou que em dezembro recebeu a primeira remessa de poedeiras da propriedade que apresentou o foco inédito da doença em nível local. “Debilitadas, as aves apresentavam feridas e no lote infestado a produção caiu drasticamente”, afirmou.

 Como os pesquisadores da unidade, especializados em diversas patologias de aves, não são parasitologistas, o material colhido foi encaminhado a especialistas do Instituto Biológico, que concluíram tratar-se do novo ácaro. Nilce Maria Soares antecipou que “a próxima etapa do estudo será identificar o parasita, seu ciclo, a epidemiologia, as vias de disseminação, o que vai permitir o controle desse ácaro”. Revelou que “já é possível constatar que ele ocorre em outros pólos avícolas, causando grandes perdas econômicas”.

Medidas preventivas

Como as granjas não podem ficar vulneráveis e a situação exige uma resposta imediata, a Secretaria de Estado da Saúde, o Instituto Biológico, a UPD e o Sindicato Rural de Bastos deflagraram um pacote de medidas de sanidade avícola para evitar a dispersão do parasita para as granjas locais e até mesmo para as de outras regiões.

Marcos Buim, também pesquisador da UPD de Bastos, disse que neste momento os avicultores devem dar atenção a medidas básicas de biosseguridade. “Recomendamos aos produtores que façam inspeção minuciosa dos plantéis com o objetivo de viabilizar precocemente um eventual diagnóstico de infestação. É prioritário observar se há lotes em que as aves apresentam prostração, queda de produção, prurido (coceira) e feridas, que são alguns dos sinais clínicos da doença mais evidentes”. O pesquisador recomendou ainda que “as granjas providenciem o controle de veículos, de pessoas e de vetores, principalmente de moscas, roedores e pragas em geral”.

Afirmou que é também prioridade a limpeza geral e higienização dos aviários, entre outras
instalações das granjas. “É preciso que todo produtor esteja em contato direto com os técnicos responsáveis pela propriedade para que eles possam orientar sobre a correta utilização de produtos e o descarte dos lotes eventualmente infestados”. E alertou: “o descarte deve ser feito de maneira apropriada para que esse ácaro não se dissemine para a região”.

O presidente do Sindicato Rural de Bastos, Yasuhiko Yamanaka, revelou que as ações preventivas que devem ser adotadas pelos avicultores se estendem ao tratamento e comercialização do esterco.
“Solicitamos, de comum acordo com o Instituto Biológico, que os produtores de ovos aumentem de sete para 10 dias o período em que o esterco deve ficar coberto com lona. Com essa providência a temperatura se eleva para até 90ºC, o suficiente para exterminar o ácaro”. Yamanaka garantiu que, “devido à gravidade do problema, os avicultores estão atendendo as recomendações”.


Fonte: Maurício Castelo Branco/Tribuna Bastense

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