segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Dicas De Como Fazer Uma Boa Silagem



Matsuda: Mediante a forte seca de 2010 e a previsão de um frio mais intenso no outono e inverno de 2011, qual ou quais medidas o produtor deve tomar para não deixar faltar alimento aos seus animais? A Ensilagem é uma alternativa?

Tavares: O excesso de forragem tropical produzido durante a primavera/verão (época com temperaturas e umidade altas – plantas crescem muito), deve ser cortado e “guardado” para a falta que virá no outono/inverno (épocas secas e temperaturas baixas – pastos secam ). Existem algumas técnicas para preservar estes “excessos” de produção, numa época do ano, para serem usadas quando falta pasto, dos quais destaco a fenação e a ensilagem. 

A ensilagem, respeitando os princípios básicos para bem prepará-la, é uma das técnicas mais difundidas para “guardar e preservar” o volumoso.


Matsuda: No Silo mantêm-se os teores nutricionais das culturas ensiladas?
Tavares: Sempre haverá perdas. Logo após o corte iniciam-se as perdas. Um corte feito pela manhã e administrado aos animais à tarde, pode ter perdas consideráveis. Elas serão tanto maiores quanto mais tempo decorrer, no pós-corte. No entanto, num silo bem feito, com uso de inoculante específico, as perdas são mínimas.

Matsuda: Quais os cuidados para se fazer uma boa silagem?
Tavares: Os cuidados são basicamente o:1. Planejamento do tipo de cultura
2. Ponto ideal de colheita e corte
3. Corte. As facas devem estar e manter-se bem afiadas, para que as partículas sejam cortadas e não esgarçadas.
4. Dimensionamento do silo: deve estar relacionado com o tamanho do rebanho, de modo que a fatia cortada diariamente seja superior a 15 cm.
5. Rapidez na confecção do silo, diminuindo perdas.
6. Tamanho da partícula: o ideal é que 80% da silagem fique entre 1 e 2 cm.
7. Compactação bem feita: tornar o meio o mais anaeróbico possível, com um trator pesado passando por camadas finas, expulsando o ar residual entre as partículas.
8. Fechamento perfeito do silo: de modo a manter o meio anaeróbico e não permitir a entrada de ar e água. Em cima da lona, o peso ideal é de 100Kg/m2.
9. Pós abertura: a silagem a ser administrada deve ser cortada em fatias no sentido de alto a baixo, evitando a formação de degraus e escadas (aumentam a superfície exposta ao ar).


Matsuda: Quais tipos de Silo são mais utilizados? 
Tavares: a) Silos cilíndricos ou poço: (que podem ser “cavados” no solo ou aéreos). Estes silos foram muito usados, são os mais antigos e ainda se vêem muitos principalmente nos estados de SP, MG e RS. Uma das qualidades é a ótima compactação que se consegue, com conseqüentes perdas menores. O grande defeito é o difícil manejo para retirada do material ensilado. Está em desuso, atualmente!
b) Silos trincheira: mais caros que os silos de superfície, mas permitem uma compactação superior.
c) Silos de superfície: mais econômicos, mas de difícil compactação, principalmente nas laterais e, conseqüentemente, com mais perdas.
d) Silos “Salsichão”: feitos com uma lona fechada de formato cilíndrica, aliam as características do silo de superfície, com uma compactação muito superior. Neste caso a máquina desenvolvida pela Matsuda já possui o aspersor acoplado.   


 Matsuda: Como o produtor determina o tamanho correto deste Silo?
Tavares: Ao planejar a construção de um silo, algumas variáveis devem ser levadas em consideração: 
- Nº. de animais que vão ser alimentados pelo silo e o consumo diário.
- A quantidade de silo consumida por dia deve ser retirada com um corte reto (como se fosse uma fatia de “pão de forma”, no sentido de cima para baixo), com uma espessura superior a 20 cm.
- É preferível fazer 5 silos de 1.000 Toneladas do que 1 de 5.000 toneladas (o tempo para fazer e fechar um silo menor, implica que as perdas sejam menores).  
- Como regra geral: é preferível fazer 1 silo comprido e estreito, de modo que a fatia retirada diariamente seja muito superior a 20 cm, que fazer um silo largo e curto, cuja retirada diária seja inferior a 15 cm. 


 Matsuda: Qual a função dos aditivos e como adicioná-los?
Tavares: Em condições anaeróbicas, o aditivo específico torna o processo fermentativo mais rápido, o pH diminui rapidamente dentro do silo, dando condições que as bactérias benéficas possam competir e tomar espaço das bactérias patogênicas ou maléficas. Se a fermentação é mais rápida, como conseqüência, as perdas são menores. 
Os aditivos mais atuais possuem bactérias produtoras de ácidos que atuam como antifúngicos (combatem leveduras e fungos) no pós abertura.

A adição do inoculante, para quantidades menores ensiladas pode ser feita por aspersores manuais e para grandes silos, usam-se aspersores automáticos acoplados às cortadeiras, permitindo uma boa produtividade.  
Importante: a água para diluir o aditivo deve ser potável, não clorada e a calda deve ser “guardada” à sombra e consumida no mesmo dia que foi feita. 


Matsuda: Existe algum indicativo que aponta ao produtor que já está no momento de abrir o Silo?
Tavares: Havendo necessidade (por exemplo, queimou o pasto e os animais ficaram sem ter o que comer), o silo pode ser aberto em qualquer momento, mesmo que não tenha terminado o processo fermentativo. Não fará mal aos animais!

O tempo para abertura do silo depende da matéria prima que foi usada para confeccioná-lo e se foram respeitados todos os princípios básicos para fazer um bom silo (item 3). O controle da temperatura e pH são importantes para essa determinação.

O silo de milho pode ser aberto entre 7 a 10 dias.
O silo de cana é mais demorado, pois o abaixamento do pH é mais lento e a ação do Lactobacillus buchneri mais tardia. O ideal seria abri-lo com cerca de 30 dias, pós-fechamento.
O silo de capins, na faixa de 10 a 15 dias. 
Estes “tempos” devem servir como referências, e não ser tomados como absolutos, pois muitas variáveis estão em jogo. 


Matsuda: Quais são as melhores espécies forrageiras para se ensilar?
Tavares: Sem dúvida, o milho reina como a ensilagem mais usada e divulgada. Contribuem para isso, sua composição com teores de Matéria Seca e Açúcar e sua Proteína mediana, que facilitam uma rápida fermentação.
Capins, normalmente são mais úmidos, apresentam uma menor concentração de carboidratos e são de fermentação mais difícil. 

A cana tem ganhado terreno na técnica de ensilagem. Devido à sua rica concentração de sacarose, ao ser ensilada, a sua fermentação produzia uma grande quantidade de etanol, com perda nutricional da energia. Com o advento da pesquisa feita pela Lallemand-ESALQ/USP, de Piracicaba, em 2003 (Silomax Cana),  o Lactobacillus buchneri controlou essa produção de etanol e preservou essa energia. Ano após ano, aumentam as tonelagens ensiladas de cana.


Matsuda: Na ensilagem, por exemplo, do Capim-Elefante pode-se fazer a adição de uma leguminosa?
Tavares: Poder pode, mas não deve! 
Forrageiras diferentes devem ser ensiladas em silos separados porque os resultados são superiores se comparados à ensilagem conjunta, em função de possuírem diferentes períodos de maturação, nem sempre as 2 ou 3 espécies ensiladas estarem no melhor teor de MS (matéria seca) para serem ensilados, possuírem composições distintas de carboidratos com conseqüentes diferentes intensidades e ritmos de fermentações.


 Na prática, o material ensilado em condição desfavorável piora a qualidade da silagem do outro.
Outro fator negativo dessa mistura seria saber exatamente o % de cada forrageira ensilada. Como têm composições distintas, para calcular a dieta, o  nutricionista vai ter de saber qual é o % de cada forrageira ensilada para  calcular a dieta total.
Conclusão: faça silos separados. 


Matsuda: Para quais espécies animais a silagem pode ser fornecida? Há alguma espécie que não pode receber este volumoso?
Tavares: Todos os ruminantes, incluindo os pequenos (caprinos, ovinos...) podem ser alimentados com silagem. 

Matsuda: 
Os animais podem consumir um material ensilado normalmente, existe algum produto que precisa ser adicionado ou então alguma restrição quanto à quantidade diária a ser fornecida?
Tavares: Se o produtor fizer um silo dentro das exigências e usar o inoculante específico, não há necessidade de outras adições. Em qualquer mudança brusca de dieta, deve-se fazer uma adaptação paulatina, adaptando a flora e fauna ruminal, para esse novo ingrediente (5 a 7 dias com aumento gradativo diário desse novo ingrediente). 

O nutricionista vai calcular as quantidades a serem administradas levando em consideração, a exigência nutricional do animal, sua fase de desenvolvimento, os ganhos de peso (GP) e de conversão alimentar (CV) pretendidos, os custos das matérias primas envolvidas e sua disponibilidade...

A silagem entra como mais um ingrediente da formulação da dieta total e ela vai participar com um % maior ou menor, dependendo dos outros ingredientes envolvidos.


Fonte: Matsuda      Autor Aldinei Franco

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