quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Produtor terá nova variedade de batata em 2011



IAC Ibituaçu e Clone IAC 2.5 estão em fase de obtenção de registro no Ministério da
Agricultura

Novas batatas desenvolvidas no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Itararé, unidade da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), estão em fase de obtenção de registro no Ministério da Agricultura e deverão estar disponíveis para os produtores no próximo ano. A expectativa dos pesquisadores é alta para o sucesso dos novos cultivares brasileiros, que poderão contribuir para a disseminação de variedades nacionais, já que os cinco cultivares mais plantados no Brasil são de origem holandesa, canadense ou alemã — são elas: Ágata, Asterix, Atlantic, Cupido e Monalisa.

As variedades IAC Ibituaçu e Clone IAC 2.5, desenvolvidas em Itararé, na divisa com o Paraná e a 360 quilômetros de Campinas, apresentam potencial para substituir as principais variedades cultivadas hoje. Segundo o chefe da seção técnica de Itararé, Valdir Josué Ramos, pesquisador científico que há três décadas se dedica ao estudo do tubérculo, os dois materiais têm potencial para atrair o interesse de produtores e agradar o consumidor final.

A IAC Ibituaçu tem polpa creme, excelente qualidade culinária para processamento industrial e produção de rodelas fritas. Na cozinha do brasileiro, ela serve bem para fazer salada, purê e as tradicionais fritas. O segredo que torna uma batata frita sequinha, crocante e sem encharcar, explica o pesquisador, é o teor de matéria seca existente na polpa da batata, ou seja, a concentração de carboidratos e amido cima de 18%. A Ágata, por exemplo, apesar ter a pele fina e lisa, tem 16% de água e não é indicada para fritura.

O baixo teor de matéria seca torna sua polpa mole quando frita, e sem ficar crocante. Já o cultivar IAC Clone 2.5 apresenta índices de carboidratos e amido entre 18% e 19%,quantidade de matéria seca ideal para ser frita em casa ou utilizada em processo industrializado.

Para os agricultores, os atrativos da IAC Ibituaçu estão no alto potencial produtivo, mesmo em ambientes de alta umidade e temperaturas amenas. Tem alta resistência à requeima, à pinta preta e ao vírus do enrolamento da folha, além de tolerância às principais viroses regulamentadas. No campo, o novo cultivar apresentou uma produtividade 21% acima das variedades IAC Aracy e Asterix, com 30,5 toneladas por hectare.

O outro material desenvolvido é o Clone IAC 2.5, que resultou em um cultivar com potencial produtivo muito alto e boa resistência à requeima e pinta preta. É também tolerante às principais viroses regulamentadas. De polpa creme, tem aptidão culinária para fazer purê, saladas e fritas. Na avaliação regional, o novo produto do IAC apresentou média geral de produção de 36,6 toneladas por hectare, contra 25,9 toneladas por hectare obtidos com a variedade IAC Aracy e 21,3 toneladas por hectare com a variedade Ágata.


Ceasa registra aumento de 17% no preço

A Centrais de Abastecimentos de Campinas S.A. (Ceasa) registrou aumento de 17% no preço médio do quilo da batata, comercializada a R$ 1,53 este ano, no período de janeiro a maio. No ano passado, o preço médio do quilo foi R$ 1,31 para o mesmo período. Durante 2009, a Ceasa comercializou 64,32 mil toneladas do produto, nas variedades asterix, Ágata, Monalisa, Bintje, Caesar, Panda, Cupido e Markies.

A batata é quatro alimento mais consumido do mundo, após o arroz, trigo e milho, aponta a Associação Brasileira da Batata (Abba). No Brasil, conforme o chefe da seção técnica da Apta-IAC, Valdir Josué Ramos, o consumo per capita no País é de 15 quilos por ano, metade da média mundial.

No País, a área destinada à bataticultura é uma das menores do mundo, com apenas 104 mil hectares e produção de 2.790 milhões de toneladas de batatas, segundo levantamento da Food and Agriculture Organization, contra 4.502 hectares e 66.813 milhões de toneladas produzidas na China, a maior produtora do Mundo. O Brasil produz uma quantidade três vezes menor que a Holanda, que colhe 6.399 milhões de toneladas em 157 mil hectares plantados. Mas, apesar de figurar no grupo de países que menos cultiva o tubérculo, o supervisor de vendas da FMC, Varner Mandini, considera o Brasil auto-suficiente no abastecimento do produto, que chega à mesa da população com fartura.

Conforme Mandini, na região de Campinas as batatas mais cultivadas são as variedades Àgata, Cupido,Caeser (Cesar), Marquise, Asterix, Monalisa, Mondial e Atlantic. Ele orienta que a escolha do produto nos supermercados, não deve ser definida apenas pelo visual da pele lisa, livre de manchas e furos causados por doenças e insetos, mas considerar a aptidão culinária de cada variedade de batata, já que alguns tubérculos apresentam polpa ideal para cozimento e outros para fritura.

Falta de rotatividade ajuda na proliferação de doenças

Escassez de áreas sadias afeta as principais regiões batateiras do Estado

O plantio exagerado da batata, que ocorre em diversos ciclos no ano — com duração de 90 a 100 dias —, entre os bataticultores que não adotam a rotatividade de cultura, somado à produção de batatas-semente
na própria lavoura sem certificação ou controle de sanidade, são fatores que contribuem para a proliferação de doenças no solo. A contaminação das áreas leva os produtores a procurar outras regiões rurais no Estado ou fora dele.

Sem o solo saudável para o cultivo do produto, até mesmo as batatas-sementes importadas da Holanda não
resistem às doenças inviabilizando a lavoura da hortaliça. “Uma forma de evitar a contaminação é a rotatividade de culturas, intercalando com braquiara ou milho”, explica o Valdir Josué Ramos.

A escassez de áreas sadias para a bataticultura, conforme Ramos, é um problema que afeta as principais regiões batateiras do Estado como Itapetininga, Casa Branca, São Miguel Arcanjo e Tatuí. Na Região Metropolitana de Campinas (RMC), um produtor de batatas de Monte Mor, que preferiu não se identificar,transferiu sua lavoura para a região de Araxá, em Minas Gerais, após 26 anos de plantio em 150 hectares.

O conjunto de fatores que culminou na mudança de cidade, conta o agricultor, vai desde a escassez de áreas em Monte Mor devido ao domínio da cana-de-açúcar, contaminação do solo por fungos e bactérias e terrenos com residual de defensivos aplicados na lavoura da cana.

Segundo ele, o plantio da batata acontece de abril a junho, quando colhe cerca de 700 sacas de 50 quilos,variedade Ágata, por hectare. A saca da batata é vendida na lavoura a R$ 45,00 e comprada por atacadistas que abastecem a região Nordeste. Este ano, calcula o agricultor, os custos com a produção aumentaram 20% impulsionados, principalmente, pelo custo da batata-semente, que passou de R$ 30,00 para R$ 50,00 a caixa de 30 quilos, além de alta de 20% no preço dos adubos.




Sheila Vieira
DA AGÊNCIA ANHANGUERA
sheila@rac.com.br
Fonte: Jornal Correio Popular

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