sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Variedades de Maracujá para mercado de Frutas Frescas




MARACUJÁ-AMARELO - IAC-277

Frutos de alta qualidade para o mercado de frutas frescas, maiores e mais pesados que os atualmente obtidos na maioria dos pomares;

Polpa bastante suculenta, de cor alaranjada, representando cerca de 47% do fruto;

Principal vantagem: alta produtividade média, 2 a 3 vezes superior à média nacional. A IAC-277 produz em torno de 40-45 t/ha/ano, em condições de sequeiro, COM POLINIZAÇÃO MANUAL COMPLEMENTAR, que aumenta o enchimento dos frutos, o peso e o tamanho;

A associação de alta produtividade com padrão superior de frutos permite agregar maior valor ao produto e reduzir o custo de produção por caixa;

Dupla finalidade: cultivar desenvolvida para o mercado de frutas frescas, mas por ter casca menos espessa, elevado rendimento em polpa e alto teor de sólidos solúveis (15 a 17 ºBrix), pode ser utilizada também na agroindústria, como uma segunda opção de comercialização.

Lançamento: em 1999, já testado e aprovado em todo o Brasil.

MARACUJÁ-ROXO - IAC-PAULISTA

Para a diversificação dos pomares nacionais ou para exportação.

Frutos de coloração roxo-avermelhada, com peso de 100 a 160 g, geralmente com pintas brancas características na casca. Dimensões médias do fruto: 7,6 cm de diâmetro longitudinal por 7,0 cm de diâmetro transversal.

Produtividade média de 25 t/ha/ano, em condições de sequeiro, com polinização manual complementar;

Indicado para o mercado de frutas frescas, por apresentar frutos diferenciados, para comercialização no varejo de grandes redes de supermercados ou exportação.

Polpa bastante suculenta, de cor amarelo-alaranjada, representando cerca de 47% do fruto. Teor de sólidos solúveis (SST) de 13 a 18 ºBrix, com acidez inferior ao maracujá-amarelo. Pode ser utilizado também na agroindústria.
 
Indicado para produção no Centro-Sul do país, porque prefere clima ameno. NÃO SE DEVE PRODUZIR MARACUJÁ-AMARELO e MARACUJÁ-ROXO na mesma área. Haverá cruzamento natural, resultando em fruto de casca rosada, com menor valor comercial e inadequado para exportação. Se for necessário maior proximidade entre os campos, pode-se utilizar barreiras vegetais densas, que impeçam o vôo da mamangava de um campo para o outro.

Época de produção dos maracujás IAC-277 e IAC-Paulista: Produção concentrada de janeiro a julho, na maior parte do Centro-Sul. Em regiões com inverno bem definido, o maracujá-roxo é um pouco mais precoce, mas sua safra também é interrompida pelo inverno, por falta de luminosidade suficiente para o florescimento.

FORMAÇÃO DE MUDAS DE MARACUJÁ

Época: semear o ano todo em regiões quentes. Onde a temperatura do inverno é inferior a 15 ºC, semear somente de julho-agosto até janeiro.

Recipientes: sacos de polietileno pretos, com furos, tamanho 14 x 28 cm, ou tubetes de polietileno (o maior de todos).

Substrato: 2 partes de terra, 2 de esterco de curral bem curtido e uma de material volumoso curtido (bagaço de cana, serragem, casca de café ou de arroz, torradas).

Acrescentar uma parte de areia em solos muito argilosos. Adubar cada metro cúbico do substrato com 2 kg de calcário dolomítico e 1 kg de superfosfato simples. Em tubetes regar periódicamente com solução nutritiva.

Semeadura: colocar as sementes de molho por 24 hs antes de semear. PLANTAR 2 SEMENTES POR RECIPIENTE, bem raso, cobrindo-as com 3 mm de substrato. A germinação ocorre entre 14 e 21 dias após a semeadura. Ralear para 1 muda por recipiente, a mais vigorosa.

Viveiro: controlar preventivamente as doenças fúngicas, aplicando-se oxicloreto de cobre a 0,3%, a cada 15 dias na estação seca e a cada 7 dias nos períodos úmidos.

Tempo de preparo: mudas de sacos plásticos levam de 60 a 80 dias para emitir a primeira gavinha, quando então devem ser levadas para o campo. Mudas de tubetes formam-se em 40-45 dias, sendo transplantadas mais cedo e menores, o que exige maiores cuidados quanto à irrigação.

Número de mudas necessárias: 200 a 666 mudas/ha, conforme espaçamento.

Espaçamento recomendado: 5 a 6 m entre plantas e 3 a 4 m entre ruas.

PRINCIPAIS INSTRUÇÕES DE CULTIVO DO MARACUJÁ

O maracujá é originário da América Tropical. É uma planta trepadeira de grande porte, lenhosa, vigorosa e de crescimento rápido, podendo atingir 10 m de comprimento. Apresenta grande variação no tamanho, formato, peso, coloração e sabor dos frutos. É rico em vitamina C, cálcio e fósforo. Pode ser consumido ao natural ou na forma de sucos, doces, geléia, sorvete e licor. As folhas e o suco contêm passiflorina, um sedativo natural.

Cultivares: maracujá-amarelo ou azedo (IAC 275, IAC 273, IAC 277 Seleção Maguary), maracujá-roxo ou maracujá-doce.

Clima e solo: próprio para regiões tropicais e subtropicais, com temperatura média mensal de 20 a 32ºC, precipitação anual de 800 a 1.700 mm anuais, bem distribuída, e alta luminosidade. Não tolera geadas ou ventos frios. Evitar face sul do terreno. Plantar em solos de textura média, profundos e bem drenados. Não utilizar
baixadas, solos pedregosos ou com possibilidade de encharcamento.

Práticas de conservação do solo: plantar em nível e manter cobertura vegetal sempre roçada nas entrelinhas.

Propagação: utilizar sementes de origem controlada.

Produção de mudas: semear o ano todo em regiões muito quentes. Em regiões com inverno demarcado, semear em agosto-setembro, dois meses antes do início das chuvas. Utilizar sacos plásticos 14 x 28 cm, ou tubetes de polietileno. Plantar duas sementes por recipiente. Desbastar após germinação, deixando apenas a muda mais vigorosa. Controlar preventivamente as doenças no viveiro com oxicloreto de cobre a 0,35% a cada 15 dias na estação seca a cada 7 dias nos períodos úmidos.

Levar para o campo em 60 a 80 dias, antes da emissão da primeira gavinha.

Plantio: de outubro a março. Em regiões muito quentes, pode ser feito o ano todo, desde que haja umidade no solo. Plantar as mudas em covas ou sulcos, com cuidado, para não ferir a raiz e não destruir o torrão. Coroar a planta, fazendo uma bacia de irrigação capaz de conter pelo menos 10 litros de água.

Espaçamento: 5 a 6 m entre plantas e 3 a 4 m entre ruas (espaldeira).

Mudas necessárias: 500 a 666 mudas/ha.

Covas: 40 x 40 x 40 cm ou sulcos de 50 cm de profundidade (aberto com sulcador).

Calagem e adubação: de acordo com análise de solo, elevar a saturação por bases a 80%, com calcário dolomítico.

Adubação de plantio: colocar, por cova ou metro linear de sulco, 30 a 50 litros de esterco de curral curtido ou composto (ou 5 a 10 litros de esterco de galinha), 200 g de P O , 200 g de calcário dolomítico, 4 g de Zinco e 1 g de Boro. Misturar todos os 2 5 adubos e o calcário com a terra, pelo menos 30 dias antes do transplante.

Adubação de formação: após o pegamento, aplicar em cobertura ao redor de cada planta, 10 g de N aos 30 dias: 15 g aos 60 dias, 50 g de N mais 50 g de K O aos 90 dias.

Adubação de produção: para uma produtividade esperada de 20 a 25 t/ha aplicar 100 kg/ha de N, 20 a 80 kg/ha de P O , 80 a 300 kg/ha de K O, anualmente, em 2 5 2 função da análise de solo. Parcelar esta dose anual em 4 ou 5 vezes, nos meses de setembro, novembro, janeiro e março, antes dos principais fluxos de floração.

Aplicar os adubos em faixas de 2 x 1 m dos dois lados da planta. Aumentar essas doses em 25%, para produtividade esperada de 25 a 30 t/ha, e em 50% para meta de produtividade acima de 30 t/ha.

Micronutrientes: em solos deficientes, aplicar juntamente com a primeira parcela da adubação de produção, no início da estação chuvosa, 2 kg/ha de B e 4 kg/ha de Zn, ou via foliar, com três pulverizações (outubro, janeiro e abril), utilizando calda com 300 g de sulfato de zinco, 100 g de ácido bórico e 500 g de uréia por 100 litros de água.

Sistema de condução: espaldeira com 1 fio de arame liso número 8 ou 10, fixo com mourões de 2 m de altura (mais 0,5 m enterrado), espaçados de 5 a 6 m.

Comprimento máximo das linhas: 100 m. Fazer reforço nas cabeceiras.

Pragas e doenças: em maracujá-amarelo, pulverizar, quando necessário, de manhã bem cedo para não afetar os insetos polinizadores. Controle biológico para lagartas – Bacillus thuringiensis; lagartas, percevejos e besouros – fenthion ou cartap; mosca-das-frutas iscas atrativas, feitas com 7% de melaço mais fenthion em água. Doenças fúngicas – tratamento preventivo com fungicidas cúpricos.

Bacteriose – medidas culturais (sementes e mudas sadias, adubações equilibradas e quebra-ventos); controle químico preventivo à base de fungicidas cúpricos, antibiótico (terramicina) em situações críticas (curativo), no máximo duas vezes por ano. Fusariose – prevenir com medidas culturais que favoreçam boa drenagem e manutenção de integridade do sistema radicular; controle – erradicação.

Podas: Poda de formação - conduzir a muda com haste única. Desbrotar periodicamente, até que ultrapasse o arame de sustentação em 20 cm. Despontar.

Escolher duas brotações laterais para formar os cordões horizontais, um para cada lado da planta. Manter todas as brotações surgidas desses cordões, pendendo livremente na vertical (cortina produtiva), eliminando-se as gavinhas até 60 cm abaixo do arame. Poda de produção - no início da brotação primaveril, com umidade no solo, cortar os ramos da cortina produtiva 60 cm abaixo do arame. Deixar secar, retirar e queimar os ramos podados.

Polinização: Natural - exclusivamente por mamangavas. Artificial - manual, complementar e cruzada. Fazer entre 13 e 17h (maracujá-amarelo), nos picos de florescimento, por movimento ascendente nas flores, com as pontas dos dedos.

Coletar pólen de diferentes flores, distantes umas das outras, antes de iniciar a operação de forma contínua.

Outros tratos culturais: manter as entrelinhas permanentemente roçadas. Trilhar as linhas 0,5 m de cada lado. Escorar a espaldeira em áreas sujeitas a ventos fortes e durante o pico de produção (segundo ano).

Irrigação: utilizar irrigação localizada, por micro-aspersão ou gotejamento. A quantidade de água a ser aplicada depende do clima, solo, estação do ano e idade da planta. Não utilizar aspersão e pivô central.

Colheita: efetuar duas vezes por semana. Pico de safra de fevereiro a abril. A ausência de calor, de umidade e de dias longos determina entresafra.

Produtividade normal: 20 a 40 t/ha para cultivares híbridas de maracujá-amarelo; 10 a 25 t/ha para cultivares comuns de maracujá-amarelo e para maracujá-roxo.

Culturas intercalares: não plantar algodão e abacaxi.

Comercialização e armazenamento: fruto perecível, comercializar antes que desidrate. Comercialização do suco: suco natural (14 ºBrix) ou concentrado (50 ºBrix).



Fonte : Setor de Produção de Sementes/IAC  PqC Laura Maria Molina Meletti  contato: lmmm@iac.sp.gov.br

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