sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Embalagem para o Transporte de Banana Busca Diminuir Perda



A sigatoka-negra está, conforme informações do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), sob controle no Brasil. Em Minas, não se manifesta. O fungo causador é um ascomiceto conhecido como Mycosphaerella fijiensis morelet (fase sexuada) e Paracercospora fijiensis deighton (fase anamórfica). Apesar de não apresentar risco para a saúde humana, se seu controle não for realizado, rapidamente chega-se a perder 100% da produção, tamanha a agressividade do fungo.

Os sintomas causados pela sigatoka-negra aparecem na face inferior da folha da bananeira como estrias de cor marrom, evoluindo para estrias negras. Os efeitos da doença são sentidos na redução da capacidade fotossintética da planta e, consequentemente, na sua produção. Mesmo sob controle, é bom evitar problemas como a disseminação desse e de outros fungos nos alimentos. Foi com esse objetivo que um grupo independente de pesquisadores estudou durante oito anos a criação de uma caixa-padrão para transportar hortifrutis. Para o professor da Ufla, o produto representa uma solução em potencial. “Além de evitar que as frutas se machuquem com embalagens impróprias para o transporte, as novas caixas, feitas com plástico propício para o contato com alimento, permitem a higienização a cada uso”, diz.

A transmissão cruzada de pragas, que ocorre entre diferentes lavouras quando as mesmas caixas de madeira são compartilhadas por diferentes produtores, pode ser praticamente extinta se a maior parte deles usar a caixa padronizada e seguir normas sanitárias. “Esse material permite que a desinfestação seja feita de forma mais prática e barata, com quaternário de amônia, que garante a eliminação de fungos causadores de uma série de doenças, como a sigatoka-negra, o cancro cítrico e o greener, que podem atacar os alimentos”.


O presidente do Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf), Moacyr Saraiva Fernandes, acompanhou a evolução das pesquisas até que se chegasse à caixa-padrão e diz que haverá ganho para toda a cadeia. “As caixas de madeira serão gradualmente substituídas e isso vai ser bom para todo mundo. Acredito que a produtividade vai aumentar, com as facilidades de transporte e controle de pragas. Os consumidores se sentirão mais estimulados a comprar, tendo oferta de frutas mais baratas e bonitas nas gôndolas”, afirma.

CAIXA-PADRÃO 

Dimensões: (60 X 40 X 24cm)
O objetivo principal é acondicionar melhor frutas e hortaliças, evitando desperdícios, que, em algumas colheitas, chegam a 60% dos carregamentos. Mas existem outras vantagens, como:- Diminuir a contaminação cruzada em plantações, já que a caixa pode ser  esterilizada a cada uso

- Melhorar a qualidade e agregar valor aos produtos hortifrutícolas. Ela permite, por exemplo, identificar a origem do produto e seu peso exato (é comum atualmente vender a caixa fechada de banana, sem especificar o peso)
- Otimizar o transporte e a logística, além de evitar acidentes para quem manuseia as caixas (o encaixe é exato e permite, inclusive, mecanizar etapas do serviço). Além de deixar o ambiente mais limpo e organizado, haverá redução de lixo

- Evitar o corte de árvores, pois em vez de madeira, a caixa-padrão utiliza um material reciclável, que dura cerca de quatro anos

- Reduzir o impacto ambiental de perdas e do desperdício de alimentos



Fonte: Correio Braziliense  autora -  Tereza Rodrigues

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