segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Aeroponia viabiliza o cultivo de batatas sem uso de terra



Foi-se o tempo em que possuir um pedaço de terra era requisito para o cultivo de batatas. Uma técnica denominadaaeroponia, ou “cultivo no ar”, possibilita a produção de alimentos deixando expostas suas raízes. No mês passado, as empresas espanholas Newco (Sociedade para Transferência da Tecnologia em Batata) e Neiker-Tecnalia (Instituto Vasco de Investigação e Desenvolvimento Agrário) apresentaram a novidade à imprensa especializada no Campus Agroalimentario de Arkaute, em Vitória-Gasteiz, na Província de Álava. 

Segundo os pesquisadores espanhóis, o novo sistema evita a incidência de enfermidades provenientes do solo, além de economizar água e fertilizantes. A produção ocorre dentro de uma espécie de caixa, que funciona como uma estufa em total escuridão, reproduzindo as características do meio abaixo da terra. 

Um sistema de nebulização, que funciona à base de energia elétrica, é responsável por pulverizar as raízes expostas com uma solução aquosa contendo todos os micros e macronutrientes necessários ao crescimento das plantas. O tempo de nebulização varia entre 15 e 60 segundos, de acordo com o ciclo da cultura e o clima da região onde se está cultivando. 

A colheita é escalonada, feita através de janelas laterais construídas na estufa para tal finalidade. Assim, os minitubérculos podem ser colhidos tão logo atinjam o tamanho desejado pelo produtor. Em condições tropicais de cultivo, a escolha do sistema aeropônico para a produção de batatas-semente depende do nível tecnológico do produtor ou da empresa produtora, além da disponibilidade de mão de obra especializada, gerador para cobrir eventuais falhas de energia elétrica e recursos para investimentos, pois a água que compõe a solução nutritiva e pulveriza as raízes não deve conter fitopatógenos que possam comprometer o crescimento das plantas. 



Geralmente, nos sistemas de cultivo sem solo, um fator limitante ao desenvolvimento das culturas é o teor de oxigênio disponível. Devido ao excesso de água nos substratos e ao pequeno volume dos canais de cultivo, o processo de respiração pelas raízes fica seriamente comprometido. Porém, na aeroponia, esta é uma premissa superada. Por não haver nenhum tipo de impedimento ao desenvolvimento do sistema radicular das plantas, sugere-se que a emissão de novas raízes seja facilitada, contribuindo para o aumento, em cinco vezes, no número de minitubérculos por planta. Enquanto no solo são produzidos até dez tubérculos por planta, no sistema de aeroponia podem ser obtidos até 50 minitubérculos por planta. 

O alto custo inicial de implantação e a possibilidade de perda total da produção, caso o produtor não disponha de um sistema auxiliar de geração de energia, representam as desvantagens para a aplicação da aeroponia. 

Com experimentos realizados entre 2005 e 2007, o engenheiro agrônomo e pesquisador científico da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA) Polo Nordeste Paulista, Thiago Leandro Factor, comprovou no Brasil a eficácia da aeroponia comparando os custos de produção do novo sistema à hidroponia convencional, no qual as raízes ficam suspensas em meio líquido. O custo médio estimado do minitubérculo no sistema hidropônico varia entre 12 e 19 centavos de real, enquanto que no sistema aeropônico é possível produzir o minitubérculo por oito centavos. 



Por proporcionar melhor retorno financeiro ao produtor rural, o sistema aeropônico se apresenta como melhor opção de investimento”, diz Factor, que há três anos defendeu esses resultados em sua tese de doutorado apresentada à Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Jaboticabal, SP. 

Com o auxílio do engenheiro, produtores e empresas nacionais deverão implantar, no próximo ano, essa nova tecnologia para o cultivo de batatas no Brasil. Além disso, Factor inaugurará em Mococa, município do interior de São Paulo, uma unidade de pesquisa e difusão do sistema. “Aeroponia é um universo a ser explorado e, por não exigir grande quantidade de água, poderá solucionar a produção de alimentos no futuro”, conclui.
 



Fonte:  Globo Rural

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