quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Cruzamento Industrial e Suas Características



Definição de Cruzamento Industrial

O cruzamento entre indivíduos de raças diferentes, onde o touro é geralmente de raça pura, buscando aumentar a eficiência na produção de carne.


Porquê fazer cruzamento Industrial

O cruzamento  entre raças ou heterozigose busca gerar heterose, ou vigor híbrido, para um grupo de características comercialmente importantes, particularmente de reprodução e sobrevivência. 
A heterozigose dá um ganho gratuito adicional que permite que a produtividade dos cruzados exceda a produtividade de ambas as raças-base.
É, consequentemente, muito desejável manter a heterozigose alta, que é produzida somente através do cruzamento entre raças em rebanhos comerciais. A heterozigose para qualquer característica é gerada cruzando-se raças que diferem na freqüência dos genes que controlam a característica – quanto maior a diferença na freqüência dos genes, maior a heterozigose no animal cruzado.


Vantagens do cruzamento industrial

Complementaridade – A combinação das qualidades desejáveis das raças parentais permite a obtenção de uma progênie superior. Ou seja, quanto mais as raças utilizadas se complementarem nas características produtivas, melhor será o resultado dos produtos do cruzamento.
O exemplo mais claro disso é combinar características de adaptabilidade, ou seja, aproveitaremos a resistência e fertilidade das vacas zebu, e o ganho de peso, precocidade sexual e de acabamento das raças taurinas européias. Lembre-se, portanto: estude cuidadosamente as características produtivas de cada raça antes de tomar qualquer decisão.

Flexibilidade – No cruzamento, podemos facilmente redirecionar nosso sistema de produção, oferecendo o produto exigido pelo mercado. Ex. Se o mercado compra carcaças acima de 270 kg, o produtor obterá isso fazendo cruzamento com raças européias de grande porte.

Heterose -  É a superioridade média dos produtos de cruzamento em relação a media dos pais. A heterose será maior quanto maior for a distância evolutiva entre as raças em questão, ou seja, quanto tempo atrás elas se distanciaram no processo de seleção natural e seleção induzida pelo homem.
Os efeitos da heterose são maiores nas características de baixa herdabilidade, ou seja, nas características muito influenciadas pelo meio ambiente e, por conseqüência, as que menos respondem ao processo de seleção. São elas: fertilidade e sobrevivência.
O período de separação mais longo ocorreu entre as raças Zebuínas e Taurinas. Por isso, a heterose é maior em cruzamentos taurus x indicus. Entretanto, em ambientes de estresse tropical, a heterose se expressa inteiramente quando o animal cruzado for totalmente adaptado ao ambiente tropical.
Para maximizar os benefícios do cruzamento, a seqüência em que as diferentes raças são cruzadas deve ser tal que não apenas a heterose é maximizada, mas a adaptação também é mantida. Tão importante quanto a heterose para maximizar a produtividade, são os atributos das raças para determinar as características do cruzamento.


Grupamentos raciais

Zebuinos

Nelore, Guzerá, Gir, Tabapuã e Brahman.

Taurinos

Taurinos Europeus Britânicos
Angus, Hereford, Devon, Red Poll, Shortorn

Taurinos Europeus Britânicos Continentais
Marchigiana, Piemontês, Charolês, Limousin, Blond D’aquitaine, , Simental, Braunvieh, Gelbvieh e outras

Taurinos Tropicais

Caracu, Senepol, Tuli, Bonsmara.

Cada raça é produto da seleção ocorrida no ambiente em que evoluiu

Zebuínos

NELORE,   GUZERÁ ,TABAPUÃ

Originaram-se na Índia, caracterizando-se pela adaptação ao calor dos trópicos , às grandes variações na disponibilidade de alimentos e ao alto número de parasitas internos e externos. Por milhares de gerações, a seleção natural para sobrevivência na presença destes estresses ambientais resultou em raças rústicas que têm alta resistência à endo e ectoparasitas, adaptação ao calor, umidade e radiação solar.

Taurinos – Europeus Britânicos

Sua origem deu-se nas Ilhas Britânicas. A finalidade principal dessas raças têm sido, por muitos séculos, produzir carne para o consumo humano.
Elas foram selecionadas para velocidade de crescimento, precocidade sexual, fertilidade e qualidade de carne, resultando em raças de tamanho intermediário.
São estas as mais usadas no Brasil: Aberdeen Angus, Red Angus e Hereford.

Taurinos - Europeus Continentais

As raças continentais de carne foram selecionadas originalmente para tração na Europa Continental. Essa seleção com menor ênfase em outras características de produção provocou o aumento da massa muscular e do peso adulto. As raças continentais são conhecidas pelo elevado peso ao nascimento, grande potencial de crescimento (ganho de peso), alto rendimento de carcaça com menor porcentagem de gordura.
Raças mais usadas no Brasil: Limousin, Charolês, Blonde d’Aquitaine, Simental, Braunvieh (Pardo-Suiço Corte), Gelbvieh, Marchigiana, Piemontês e Belgian Blue.

Taurinos Adaptados

As raças taurinas adaptadas também evoluíram em regiões tropicais. Comparadas com as européias, tais raças desse grupamento têm maior resistência para calor e carrapatos ambiente com restrição alimentar.
Devido a sua maior rusticidade e características de adaptação, as raças adaptadas tem um potencial de crescimento mais baixo e menores exigências de alimento e de manutenção que outras raças taurinas. Para todas as raças taurinas adaptadas, as características de qualidade de carne, incluindo a maciez, estão mais próximas daquelas das raças européias do que das raças indianas.
Raças mais usadas no Brasil: Bonsmara, Caracu e Senepol.

BONSMARA - Africander + Hereford + Shorthorn
SENEPOL - N’Dama + Red Poll

Raças Sintéticas e Compostas

Raça SINTÉTICA é formada por duas raças com grau de sangue fixado, visando manter bons níveis de heterose e adaptabilidade. Já os COMPOSTOS são formados por 3 ou mais raças. Raças compostas mais usadas no Brasil: Canchim, Stabilizer, Beefmaster, Montana.

7. Tipos de Cruzamento

TERMINAL - COM DUAS RAÇAS

TAURINO CONTINENTAL x MATRIZ ZEBU = F1 destinada ao abate

Vantagens:

- 100% de heterose nos produtos
- Elevado potencial de crescimento
- Simplicidade na execução e flexibilidade do sistema

Observações:

Reposição deverá ser comprada no mercado ou incorporado de outros rebanhos, sendo, então, potencialmente o mais produtivo. Entretanto, as fêmeas de reposição não são geradas pelo sistema, pois machos e fêmeas produtos do cruzamento são comercializados (não há retenção de novilhas cruzadas para reposição de matrizes).
De forma alternativa, fêmeas de reposição adequadas devem ser compradas. A lucratividade do sistema é dependente da diferença entre o preço de compra e o de descarte das fêmeas. Mesmo assim, um cruzamento terminal de 2 raças é ainda potencialmente mais produtivo do que o de raças puras.
No contexto brasileiro, raças de alto potencial de crescimento e alto mérito de carcaça, como o Charolês, Limousin, Blonde, Marchigiana e Piemontês ou ainda o Simental, Braunvieh e Gelbvieh (caso queira comercializar as fêmeas para receptoras de embrião) deverão ser cruzadas com vacas Nelore. O potencial de crescimento da progênie F1 é aumentado em até 20%, dependendo do ambiente e do touro da raça terminal usado. Assim, quando acasaladas com raças terminais, o mesmo peso total de vacas Nelore desmamara até 20% a mais de peso total de bezerros F1, que se fossem filhos de touros de sua mesma raça (Nelore neste caso), diluindo-se os requerimentos de manutenção do rebanho de vacas Nelore e aumentando-se a produtividade de todo o sistema.



TERMINAL - COM TRÊS RAÇAS

TAURINO BRITÃNICO x MATRIZ ZEBU = F1 destinada a reprodução

3a RAÇA x MATRIZ F1  =  Todos produtos destinados ao abate

RED ANGUS x MATRIZES NELORE = MATRIZES ½ + RED ½ + NELORE

CANCHIM x MATRIZES ½ + RED ½ + NELORE

PRODUTOS

½ CANCHIM+¼ RED +¼ NELOREÞ PRONTOS PARA O ABATE

O cruzamento terminal de 3 raças utiliza a heterose materna da F1, mas sofre as mesmas limitações relacionadas à produção de fêmeas de reposição, como ocorre no cruzamento terminal de 2 raças. É indicado como terceira raça, os taurinos adaptados (Caracu) ou mesmo as raças bimestiças, tais como; Canchim, Simbrasil, Santa Gertrudis, Braford e Brangus. (Franklin)



ROTACIONAL

Entre 2, 3 ou mais raças, alternando-se  as mesmas entre as gerações. Ideal para criadores que desejam usar as fêmeas produtos do cruzamento para reprodução, aproveitando o excepcional potencial reprodutivo das mesmas. 

OBJETIVO

- Machos - abate
 Fêmeas - reposição de matrizes

RAÇAS TAURINAS INDICADAS  

Angus, Hereford, Devon, Senepol, Bonsmara.

ROTACIONAL - COM DUAS RAÇAS OU CRISSCROSS

RED ANGUS x NELORE

Neste sistema duas raças são acasaladas, as fêmeas resultantes (F1) são mantidas como reposição, estas são acasaladas com uma das raças parentais. Nas gerações seguintes as fêmeas são acasaladas com reprodutor da raça diferente da raça paterna, dentre as raças utilizada no cruzamento inicial.
Em ambientes tropicais deve-se utilizar preferencialmente a raça mais adaptada, sobre a matriz F1.

Vantagens:
A reposição é produzida dentro do próprio sistema
Possibilita  o aproveitamento da precocidade sexual das fêmeas, aumentando o desfrute do rebanho.
Permite execução em rebanhos de menor escala (tamanho de rebanho).
A partir da segunda geração as matrizes, pelos efeitos da heterose materna, produzem 15% a mais de Kg de bezerro desmamado/vaca.


ROTACIONAL - COM TRÊS RAÇAS OU TRICROSS

TAURINO e 100% ADAPTADO
Neste sistema duas raças são acasaladas e as fêmeas resultantes (F1) são mantidas como reposição, estas são acasaladas com uma terceira raça não relacionada com as raças utilizadas anteriormente, preservando as mesmas características maternais do primeiro cruzamento. É importante frizar conferindo ao produto adaptabilidade ao ambiente de criação.
Para que o produto possa usufruir dos benefícios da heterose, ele deve ser adaptado ao meio ambiente. Nas condições tropicais brasileiras, o uso de raças Taurinas Adaptadas constitui-se uma grande alternativa como terceira raça da rotação.
Neste sistema duas raças são acasaladas e as fêmeas resultantes (F1) são mantidas como reposição, estas são acasaladas com uma terceira raça não relacionada com as raças utilizadas anteriormente, preservando as mesmas características maternais do primeiro cruzamento. É importante frizar conferindo ao produto adaptabilidade ao ambiente de criação.

Vantagens:
A reposição é produzida dentro do próprio sistema
Possibilita  o aproveitamento da precocidade sexual das fêmeas, aumentando o desfrute do rebanho.
A partir da segunda geração as matrizes, pelos efeitos da heterose materna, produzem até 25% a mais de Kg de bezerro desmamado/vaca.
 Na primeira e segunda geração, obtêm-se 100% de heterose. Nas gerações sucessivas este sistema retém níveis de heterose estabilizados em torno de 87%.


Fonte: Alexandre Zadra

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