terça-feira, 9 de novembro de 2010

Suplementação Mineral para Bovino de Corte


IMPORTÂNCIA DOS MINERAIS PARA A MICROFLORA DO RÚMEN
  • Alguns elementos minerais são essenciais, tanto para o organismo animal, quanto para a microflora. Entre os elementos incluem-se: K, essencial para o crescimento de certas espécies de microorganismos; P, essencial para os processos energéticos das células, tanto do animal, como da microflora; Mg, Fe, Zn e Mo, componentes ativadores de enzimas bacterianas. 
  • O elemento mineral é essencial, principalmente para os microorganismos que produzem os metabólitos requeridos pelo organismo animal. Por exemplo, certos grupos de bactérias que produzem vitamina B12 (cianocobalamina).
      
  • O elemento é essencial ao organismo animal e à microflora, mas é assimilado preferencialmente pelos microorganismos do rúmen, na forma que é fornecido. Um exemplo é o S, requerido para a digestão da celulose, assimilação de N não-protéico e síntese de vitaminas do grupo B.
      
  • Elementos minerais que são essenciais nos processos metabólicos no organismo animal, mas também participam na criação de um meio ótimo para suporte dos microorganismos. Tais elementos incluem K, Na, Cl e P e, sendo o rúmen um sistema biológico fechado, mantêm seu meio interno constante (ação tampão, pressão osmótica, concentração relativa de íons).


A SUPLEMENTAÇÃO MINERAL

Para bovinos mantidos exclusivamente em pasto, a suplementação de minerais é feita, geralmente, em cochos, sempre cobertos, colocados em locais estratégicos do pasto e regularmente abastecidos. A mistura mineral deve estar sempre à disposição no cocho, pois o consumo, para ser efetivo na suplementação das exigências, tem de ser contínuo.  Um dos problemas relacionados com o fornecimento de misturas minerais à vontade nos cochos é que o consumo é variável e errático. O sal comum (NaCl), por ser palatável e bem aceito, é um importante veículo para ingestão de outros minerais, sendo então incorporado na proporção de 30% a 50% da mistura total. 
No entanto, deve-se atentar para o fato de que o cloreto de sódio também limita o consumo do suplemento mineral: considera-se que em média o animal lambe o sal até satisfazer as necessidades de sódio, quando então perde o apetite pela mistura oferecida no cocho. 
A quantidade de mistura mineral ingerida diariamente é o fator mais importante a ser considerado na suplementação de bovinos mantidos em pasto. As fazendas devem estabelecer um controle para estimativa de consumo médio diário, pois só assim será possível avaliar a suplementação. 
Numa fase inicial, quando ainda não há controle de ingestão, pode-se tomar como base que os bovinos adultos de corte, geralmente, consomem de 20 g a 40 g de sal comum/dia e, com base nessa proposição, estima-se o consumo potencial, se o suplemento for misturado com sal. 
Por exemplo, se um suplemento traz a recomendação de diluição de uma parte de sal comum para duas partes de suplemento, isto significa que a mistura teria 33,3% de sal e, portanto, para consumir 25 g de sal o bovino teria que ingerir 75 g da mistura total. 
Com base nesse raciocínio, torna-se possível verificar que as diluições maiores do suplemento, visando à economia, podem ser prejudiciais, pois a quantidade de suplemento consumida seria reduzida. Deve-se ter sempre em mente que quanto maior o nível de sal na mistura menor o seu consumo. 
As recomendações dos fabricantes de suplementos minerais devem ser sempre seguidas, mas torna-se também necessário o estabelecimento do controle da quantidade dos diferentes elementos minerais fornecidos pela mistura, para caracterizar o potencial de atendimento das exigências nutricionais dos bovinos. 
Os suplementos minerais comerciais, já prontos para um tipo específico de categoria, nunca devem ser diluídos. Eles têm na embalagem o rótulo de garantia com a concentração dos elementos minerais (grama ou miligrama por quilo da mistura) e os ingredientes que compõem a mistura. Seria uma boa orientação para o pecuarista que consumo esperado do suplemento constasse também do rótulo. 
Embora o consumo da mistura mineral varie com a fertilidade do solo, qualidade e manejo das pastagens, o pecuarista deve sempre ter o cuidado de controlar o fornecimento da mistura mineral, assegurando a qualidade da suplementação às exigências das categorias a serem suplementadas.

 
USO DA MISTURA MINERAL
 
Inúmeros fatores se inter-relacionam para uma adequada utilização de misturas minerais, entre eles, a exigência animal e a época do ano. No período chuvoso, há melhor oferta de energia e proteína pela forrageira, e é maior a exigência de minerais (a resposta à suplementação de fósforo é evidente); no período seco, baixa a oferta dos nutrientes, e conseqüentemente as exigências minerais são reduzidas, ao menos para animais de recria e engorda que estão em mantença ou mesmo perdendo peso. 
Sistemas intensivos de produção em pasto, muitas vezes requerem o uso de misturas múltiplas, aquelas que contêm na sua formulação fontes de proteínas e energia, para manter o nível adequado de desenvolvimento/ mantença do animal no período seco. 
A suplementação de minerais deve levar em consideração a faixa de ganho esperada. É importante considerar que o animal não possui reservas prontamente disponíveis de alguns elementos minerais, que devem ser fornecidos diariamente, como é o caso do sódio e do zinco. 
Finalmente, deve-se ter em mente que uma suplementação adequada é a forma de suprir aos animais os nutrientes minerais necessários para corrigir as deficiências ou desequilíbrios de sua dieta, na quantidade necessária e na época certa. 
Assim, para uma mistura mineral ser adequada, é importante que contenha os elementos deficientes ou marginais na região, considerando o tipo da pastagem, ou dieta do rebanho. Daí, volta-se a repetir que uma nutrição mineral apropriada é um fator que pode contribuir bastante para o aumento de produção e melhoria da relação custo:benefício do sistema de produção de carne e leite em pasto. 


Fonte: Embrapa Gado de Corte




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