terça-feira, 16 de novembro de 2010

Estados Unidos vão reabrir mercado à carne catarinense, anuncia Abipecs



O Serviço de Inspeção e Sanidade Animal e Vegetal (APHIS) do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) está modificando seus regulamentos sobre a importação de certos animais e produtos de origem animal ao incluir o Estado brasileiro na lista de regiões reconhecidas como sendo livres de febre aftosa, peste bovina, doença vesicular dos suínos, peste suína clássica e peste suína africana. O APHIS também está adicionando Santa Catarina à lista de regiões sujeitas a certas restrições de importação de carnes e produtos de carne por causa de sua proximidade de países afetados pela peste bovina ou pela febre aftosa ou devido a suas relações de comércio com tais países. A informação foi publicada nesta terça, dia 16, no Federal Register, diário oficial norte-americano.
A abertura deste mercado é um dos itens de um acordo firmado em julho de 2010, quando o Brasil aceitou suspender as retaliações a que teria direito devido aos subsídios concedidos pelo governo dos Estados Unidos aos produtores de algodão. O prazo já havia sido adiado duas vezes.
Segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), Pedro de Camargo Neto, agora só falta aprovar as fábricas que poderão exportar aos Estados Unidos, o que deve ser feito em pouco tempo, já que o mais difícil aconteceu: a aprovação do Estado de Santa Catarina como apto sanitariamente para exportar carne suína.
A partir de agora vai ter início um processo de habilitação dos frigoríficos de Santa Catarina aptos a exportarem para os Estados Unidos. Os embarques, no entanto, só devem começar no ano que vem.
– Até o fim desse ano não tem tempo não. Tudo é demorado, até as fábricas se interessarem, acreditarem, preencherem a papelada, tudo é demorado. Esse processo demorou quatro anos, então não será agora em quatro dias – diz o presidente da Abipecs.
A expectativa é de que em 2011 os norte-americanos importem cerca de 10 mil toneladas de carne suína de Santa Catarina. Em dois ou três anos, esse volume pode alcançar 40 mil toneladas por ano, principalmente de cortes, como costela, e derivados, como bacon. O embarque de carcaça é mais complicado por causa de custos, como o de frete, reduzindo a competitividade do produto nacional.
O presidente da Abipecs acredita que os Estados Unidos não devam comprar grandes volumes de carne suína, mas ressalta a importância do Brasil ter perspectiva de abrir outros importantes mercados na Ásia, como Coreia do Sul e Japão.
A febre aftosa, peste bovina, doença vesicular suína, peste suína clássica e peste suína Africana são doenças animais contagiosas causadas por vírus. Com exceção da febre aftosa, essas doenças não são transmissíveis de animais para humanos e não afetam a saúde humana. A transmissão da febre aftosa para humanos é rara. O APHIS tem um forte sistema em ação para detectar e responder ao aparecimento de focos de doenças animais no estrangeiro e coloca restrições ao comércio com regiões afetadas como proteção contra a introdução de doenças. Todos os produtos importados precisam seguir ainda os regulamentos do Serviço de Inspeção e Segurança Alimentar (FSIS) do Departamento de Agricultura dos EUA em relação à inocuidade alimentar. Atualmente, o FSIS não permite a importação de carne processada no Brasil.

Fonte: CANAL RURAL

0 comentários

Postar um comentário